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O rebosteio

Hoje acordei apática. Nada de novo. Essa é minha realidade recente. E vou admitir uma coisa: eu gosto de ir trabalhar e fingir que to feliz e bem, porque as vezes até acredito que estou.  Eu não posso mentir e dizer que minha vida é ruim. Isso seria desonesto. Minha vida está ótima.  Tenho um teto, roupas, um cobertor quentinho, tenho gatos, um amor pra chamar de meu pra sempre. Tenho uma casa eletronicamente equipada: consoles, gaming pc, robô de cozinha, até uma trotinete! Tenho trabalho, tenho saúde, amigos, familia... Tenho tudo. E to me sabotando quando esqueço disso.  Parece que estou vendo minha vida acontecer na perspectiva de um espectador. Em 3ª pessoa.  Tem dias como hoje, que eu esqueço de comer. Esqueço de beber água. Esqueço de cuidar de mim. Estou a 3 horas segurando o xixi. Pra quê? Eu sei que estou assim porque estou ansiosa. Não a minha ansiedade constante. Estou ansiosa porque finalmente, após completar 4 anos que estou fora, vou poder ir visitar o...

máscara

Como faço pra sair do meu próprio modus-operandi? Como é possível viver uma vida em que tudo, absolutamente tudo seja medido por 8 ou 80? Eu precisava descansar, hoje estava de folga, então decidi que eu ia dormir, para tentar recuperar minhas ultimas noites mal dormidas, dos últimos meses, porque não ouso querer dizer anos. Não consigo descansar. Minha cabeça não para e estou sendo constantemente bombardeada de informação, de gente, de barulho, de conversa, de luz, e isso me irrita, me irrita tanto num nível que eu não estou sabendo lidar. Isso tem transbordado para todos os outros aspectos da minha vida. Esse estresse todo. Essa raiva toda. Frustração, insatisfação. Enfim, voltando ao descanso da folga: dormi 15 horas. E agora são exatamente 4:30 da manhã, e ainda não consegui dormir, minha cabeça não para. eu to exausta e amanhã começa outra semana, mais quatro dias. quatro dias que vou ter que me forçar a levantar da cama. me forçar a tomar banho. me forçar a me arrumar, me forçar ...

Como vemos as coisas...

 Nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como somos.. é o que diz um provérbio de Talmude. Quem vê pensa que eu sou culta, mas eu não conhecia essa frase a menos de cinco minutos atrás. E encontrei essa frase porque estava procurando a origem da frase "conhece-te a ti mesmo" do Platão. E nos relacionados encontrei essa frase, que faz muito mais sentido, para o que está na minha cabeça, e para como tenho tentado lidar com a vida. Estou frustrada. Pela minha própria hipocrisia. Por essa ânsia que tenho de agradar, e sempre, na minha boa intenção, erro, e decepciono pessoas com quem me importo. Por mais que eu tente não errar. E continuo repetindo os mesmo erros, vezes sem conta. E isso me cansa. Me canso de mim.  Estou ficando cansada de mim... De conviver comigo, com a minha mente. Estou cansada de estar sempre pensando nos piores cenários possíveis. Sem esperança... E estou ficando cansada de fingir que tô bem.  Eu não posso ver o mundo com os meus olhos. Porq...

threads of life

 Eu nunca poderia imaginar, nem nos meu sonhos mais loucos, que eu um dia estaria aqui.  Noutro país. Fazendo uma vida pra mim. Nada saiu como eu esperava. Meu estudo de tantos anos contou muito pouco quando me vi perdida em Portugal. Encontrei mais portas fechadas do que eu poderia esperar. Caí no fundo do poço mais vezes do que pude contar. Fui passada a perna por incontáveis pessoas e ainda hoje tento acertar contas comigo mesma e aceitar o desenrolar de todas as coisas. Mas cá estou. Cada passo mais próxima de uma vida estável. Uma casa. Gatos, que eu sempre sonhei em ter e nunca pude. Um teto. água potável. um trabalho, com contrato. Internet rápida. Computador, celular. Comida. Máquinas de lavar roupa. Robô para me ajudar a limpar a casa. Roupas.  Eu sei, não parece muito para quem vê de fora. E pagar os boletos não é facil. mas é aos poucos. Calculo que mais uns dois anos e tudo estará nos eixos. Uma coisa de cada vez. um dia de cada vez. Um problema a resolver por...

desatando nós em mim

Eu tive que reler o que escrevi, para ter a certeza de que eu ainda me lembrava das coisas com clareza, ou se eu estava amenizando o que realmente aconteceu, porque agora já se passaram mais de cinco anos, e algumas memórias não julgo dignas de confiança. Não confio cegamente no meu julgamento de tudo o que houve naquele tempo, porque eu não estava em meu perfeito juízo. Fazem cinco anos. E ainda existe um sentimento - ou melhor alguns sentimentos - muito indigestos quando volto a minha atenção para o que houve entre eu e ele. Não faz sentido aqui escrever "nós" porque nunca houve nenhum nós. Houve ele e eu. E eu sei que são sentimentos indigestos porque eu não ouso falar sobre o que aconteceu. Não ouso sequer relembrar daquele período escuro, solitário, confuso, caótico e por isso, me colocar de frente à mim, e me forçar a lembrar para curar aquelas feridas me trás um imenso desconforto, e eu só quero tapar os olhos e os ouvidos e começar a gritar feito louca "lalalala ...

Cada vez sei menos

 Eu assumo que não sei lidar com a vida. Não sei. Sempre que sei que errei em algo, tudo o que eu sinto é meu estômago apertar, uma dor de barriga enorme, falta de ar, começo a transpirar rios, e meu coração fica acelerado feito doido. Como é que alguém consegue se manter são quando tá sentindo isso 24 horas por dia? Eu to exausta. Exausta da vida. Exausta de esquecer as coisas. To cansada também de ter que ficar me provando o tempo todo. Provando que eu sou digna de confiança. Ficar me explicando e mesmo assim as pessoas acharem que tô mentindo, só porque eu sinto a necessidade de detalhar as coisas. Eu tive que apresentar provas da minha inocência a vida toda. A vida toda fui sempre acusada de coisas que eu nunca fiz: trair, roubar, transar, perder a virgindade com outra pessoa. Até isso uma vez me acusaram, porque ninguém acreditava que era possível estar num relacionamento a mais de 01 ano sem ter transado com a pessoa - confesso que até para mim agora é estranho de pensar isso...

Nobody yes door.

 Dizem que os sonhos são meios que o nosso subconsciente encontra para poder falar conosco, traz mensagens, respostas, todas aquelas coisas que ficam adormecidas mas não muito. Eu sempre fui muito sonhadora, meus sonhos.. eles parecem filmes, tem começo, meio e fim, na maioria das vezes. Poucas vezes só meio e fim. E acho curioso porque quase sempre me lembro deles. São sempre muito vívidos, cheios de cores, cheiros, sensações... Muito reais. Ah, e me lembro deles por muito tempo. Anos até. Os mais vívidos, sempre acontecem. Meses ou anos depois. Mas sempre acontecem. As vezes com um detalhe ou outro de diferença.  Ano passado, eu tinha acabado de me mudar pra esta casa, quando tive um sonho estranho. Eu estava descendo uma serra, num ônibus escolar, indo para o litoral. Meu tio favorito dirigia o ônibus, e dentro estávamos eu, ele, a esposa dele e as duas filhas. Quando houve um problema, e o ônibus não freava de jeito nenhum. Era numa descida muito íngreme. Meu tio passou o ...