Como vemos as coisas...
Nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como somos.. é o que diz um provérbio de Talmude. Quem vê pensa que eu sou culta, mas eu não conhecia essa frase a menos de cinco minutos atrás. E encontrei essa frase porque estava procurando a origem da frase "conhece-te a ti mesmo" do Platão. E nos relacionados encontrei essa frase, que faz muito mais sentido, para o que está na minha cabeça, e para como tenho tentado lidar com a vida.
Estou frustrada. Pela minha própria hipocrisia. Por essa ânsia que tenho de agradar, e sempre, na minha boa intenção, erro, e decepciono pessoas com quem me importo. Por mais que eu tente não errar. E continuo repetindo os mesmo erros, vezes sem conta. E isso me cansa. Me canso de mim.
Estou ficando cansada de mim... De conviver comigo, com a minha mente. Estou cansada de estar sempre pensando nos piores cenários possíveis. Sem esperança... E estou ficando cansada de fingir que tô bem.
Eu não posso ver o mundo com os meus olhos. Porque o mundo não perdoa as pessoas que vêem como eu. Não posso sequer parar para admirar. Não posso elogiar, porque se não, sou puxa-saco, não posso ser carinhosa, porque se não, sou uma carente, e as pessoas não gostam de pessoas carentes. Não posso reclamar, porque não quero mais dos mesmos problemas vindo na minha direção (reclamar, vindo de "clamar novamente. Ouvi isso nalgum lugar anos atrás e nunca mais me esqueci), e não posso pedir ajuda.
E EU PRECISO DE AJUDA.
eu não consigo mudar sozinha.
não consigo me focar sozinha. Não consigo estudar sozinha, guardar dinheiro sozinha, me exercitar sozinha, perder peso sozinha... e eu me sinto tão só. tão só.
Eu sei que não estou só. E pensar isso é como uma ofensa para com todas as pessoas incriveis que tenho comigo. Mas eu me sinto incrivelmente só, e impotente, e incapaz. Mas não ouso dizer a ninguém. Não podemos compartilhar esse tipo de informação. Não podemos dar munição para os outros nos atacarem. Porque os ataques vem, quando a gente menos espera, de onde a gente menos espera, e de quem a gente menos espera.
Ninguém aqui me conhece. E é isso que parece fazer essa jornada tão exaustiva. Será que eu sou assim tão diferente para as pessoas acharem que eu sou um personagem? Quem consegue segurar a máscara por tanto tempo?
Eu não gosto de sentir raiva, mas eu me sinto com raiva. Tanta raiva, o tempo todo.
Tão estressada, tão ansiosa, o tempo todo. E tô sempre trocando os pés pelas mãos. Tento ajudar e só atrapalho. E me sinto um estorvo. Sempre precisando de algo... reconhecimento? afeto? respeito? laços? o que é essa necessidade tão absurda por laços? o que é esse medo tão grande do ser descartável? mesmo sendo boa no que eu faço? Eu acho que tá demorando pra eu entender que na maioria das vezes, ser boa naquilo que faz não é suficiente. Porque tem que ser bom também nas normas sociais. Tem que saber lidar com os colegas. Tem que saber se colocar no seu lugar. Tem que ser humilde e deixar pisarem. Porque nesse momento, eu preciso. E aceitar, porque eu to errada.
Mas meu ego não tá ferido por causa do que eu ouvi. Eu não tô triste por isso. Eu tô triste porque continuo errando nas mesmas coisas. Nessa lição que eu não estou aprendendo.... E isso tá acabando comigo, me corroendo, o dia todo. Pode ser que amanhã, quando eu acordar, eu já não me sinta metade de como estou hoje. Pode ser que amanhã eu esteja melhor. Vai saber.
E, eu tô com medo.
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