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Um souvenir para mim (+18)

   Era quarta-feira.     O clima estava estranho havia alguns dias. Eu não podia tocá-lo, ele não me deixava, e apesar disso, dormiu comigo todos esses dias, novamente me fazendo sentir protegida, e querida, mas não desejada.     Tudo bem, eu podia lidar com isso.   Na verdade, não podia não, mas eu fingia estar bem quando ele estava por perto. Eu jogava uma água no rosto pra disfarçar a cara inchada de tanto chorar durante o dia. Mas quando ele me visse, ele não poderia me ver quebrada. Não. Ele deveria me ver inteira.   Naquele dia, trocamos mensagens durante o dia. Eu não havia chorado tanto, apesar de não ter sentido fome e de ter me contentado com apenas uma das duas esfihas que comprei pra comer.    Enquanto eu lia, acabei tomando uma taça de vinho. Estava, na verdade, me cansando de esperar, e estava quase dormindo quando ouvi minha porta se fechar.    Ergui os olhos e ali estava ele, parado à port...

Quarenta ( 4O )

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Não me ando sentindo confortável pra falar de mim, tenho preferido calar as minhas vozes. É engraçado porque aqui dentro tá tudo confuso e bagunçado, e essa inquietação não some nem me deixa em paz. Aliás, até mesmo dormir tem sido complicado. Um sono carregado de sonhos pesados, ora pesadelos que me sufocam, como se eu estivesse num mergulho em alto ar. diferente do voo, meus pés não alcançam o chão e vem a sensação aterradora de que estou só. As vezes é difícil até respirar. Mas quando sua presença embala meu sono eu durmo em paz; e acordo em paz também. Os pensamentos que mais percorrem minha mente giram em torno dessa incerteza que se instalou desde que deixei que você fizesse morada em mim. Um medo de um sentimento não correspondido, acompanhados pelo conforto de um abraço seguro e das batidas  do seu coração, que aliás é um sonífero muito mais eficiente do que qualquer calmante. Eu consigo me lembrar claramente do segundo que me destravei e abri minhas portas p...

O que fiz com o que sobrou de mim?

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  Aqui nesse lugar estava tudo quadradinho, minha vida encaixadinha, tudo meticulosamente planejado, como jogo de tetris - quando jogado por gente habilidosa. Mas não entendi. Em 30 segundos minha cabeça deu um looping, joguei a porra toda pro alto, e, junto com as madeixas do meu cabelo, comecei um ciclo de mudanças.    Mudança de postura, mudança de pensamentos, e mudei até o endereço.   Durante oito meses, que pareceram uma eternidade, estava lutando bravamente pra continuar na linha, tentando segurar aquela ponte que existia entre ele e eu. Era como se eu visse que a corda estava para se romper, e por mais que eu enrolasse ela na minha mão até que começasse a sangrar, todo o esforço era vão pois a corda estava para arrebentar lá no meio, longe do meu alcance. Segurar a corda doía. Eu estava calçando um sapato que já não me cabia mais. Lindo! E que eu amava, mas que me causava bolhas nos pés e deixava meu andar difícil. Como quando a gente engorda e não c...

Egoísta (+18)

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O formigamento entre as pernas voltou. Droga. Já não sentia essa estranha sensação de desejo em meu baixo ventre a tempos, é verdade. Mas ela voltou. Me causando uma reviravolta, e pensamentos obsessivos. Fico imaginando como seria. Sua cor, o tamanho, o calor dos beijos percorrendo meu corpo, escorregando até ali, acompanhado de um dedo ou dois, e como trilha sonora, os meus gemidos noite adentro. Envolvê-lo sobre meus lábios, rodeá-lo com a língua, sentir seu gosto. Envolvê-lo com meu corpo, e convidá-lo a entrar. Convidar a conhecer-me. Conhecer meu corpo, como eu desconheço. Alcançar a exaustão dos corpos com movimentos rápidos, ritmados, frenéticos e descompassados. Os arranhões que eu te daria, e as marcas que você deixaria em minha pele. Suaves e doloridas lembranças de onde você esteve: em toda a parte de mim. É verdade. Nos meus últimos devaneios você tem estado em toda a parte, aparecendo com um sorriso gentil, mas nos olhos brilham um fogo misterioso que querem ...

Des-Controle

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Eu sei que pedi, aliás, que venho a alguns anos pedindo por mais. Eu sei que ele não pode me dar o mais que sinto falta. Sei que está além dele, e além de nós. Nosso amor nunca queimou ardendo no peito. Sempre foi amor de aquecer a alma, mas nunca de incendiá-la. Sempre foi calmaria, nunca tempestade.  E eu sinto falta da tempestade, ele sabe. Sinto falta de perder o controle. Sinto falta da adrenalina de algo que me queima e me desestabiliza. Sinto fata de estar à mercê emocionalmente de outra pessoa.  Sinto falta de algo que me faça sentir algo. O problema é a personificação do controle.  Ele nunca perde o controle.  Nem das palavras, nem da paciência, nem das suas emoções, muito menos perde o controle de si. Não quero que ele me controle: quero que perca o controle comigo. Que passe o fim de semana, e ao ir embora, tudo o que ele consiga fazer seja lembrar do meu nome. Quero que me deseje, e seja obcecado por mim, por minhas ...

Uma homenagem aos romances que só se vivem uma vez na vida

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Amadurecer é uma tarefa árdua.  Encontrar razões pra levantar todos os dias resume-se a: "tenho que seguir em frente pois as contas não se pagam sozinhas" . Certas lembranças a sensações ficam perdidas no tempo e por vezes, intocadas, acabam esquecidas. Mas não quando a insônia chega. Não quando, mais uma vez, você se pega tentando entender o rumo das coisas e o que diabos foi que aconteceu com sua vida, e tenta entender porquê razão, apesar de ter tudo o que queria, ainda não se dá por satisfeita. Você se pega lembrando das travessuras da adolescência, e fisga na memória um olhar quente sobre o seu, e se afoga com a intensidade de um toque. De um beijo. Um abraço, um afago, um cafuné... Você se lembra de um sorriso diabólico, capaz de estremecer sua fé, arrepiar cada fio de cabelo, te atrair pra escuridão esmagadora e tentadora de um pecado irresistível demais para ser rejeitado. Você se lembra de uma voz embriagadora, capaz de levar sua sanidade embo...

sobre pessoas que recusam ajuda...

É demais pra mim, isso tudo. Estou farta de ser adulta. Cansada demais de ser o meio termo, a intercessora... Não tomo partido, apenas observo. E observar dói. Observar o sofrimento, e as palavras duras direcionadas aqueles que amo - eu que bem sei como funciona atingir pessoas através das palavras, sei como ela está ferida e machucada, e me machuca só observar essa dor, sem dizer nada que me indique tomando partido. Então todos os dias, eu junto meus cacos, e repito meu mantras: "juntos somos mais fortes", "vivendo um dia após o outro", e "bola pra frente". Mas a verdade, é que ninguém tá se esforçando além de mim.. Eu que to segurando as duas mãos que seguram a corda. Eu só queria que as decisões fossem tomadas pelos adultos, de forma adulta. E não comigo sendo o pilar desse lugar. Eu estou em ruínas. E já não aguento tudo sozinha. Eles se instalaram no fundo do poço, e não querem ser tirados de lá.. E eu já estou tão cansada de ...