Um souvenir para mim (+18)

   Era quarta-feira. 
   O clima estava estranho havia alguns dias. Eu não podia tocá-lo, ele não me deixava, e apesar disso, dormiu comigo todos esses dias, novamente me fazendo sentir protegida, e querida, mas não desejada. 
   Tudo bem, eu podia lidar com isso.
  Na verdade, não podia não, mas eu fingia estar bem quando ele estava por perto. Eu jogava uma água no rosto pra disfarçar a cara inchada de tanto chorar durante o dia. Mas quando ele me visse, ele não poderia me ver quebrada. Não. Ele deveria me ver inteira.
  Naquele dia, trocamos mensagens durante o dia. Eu não havia chorado tanto, apesar de não ter sentido fome e de ter me contentado com apenas uma das duas esfihas que comprei pra comer.
   Enquanto eu lia, acabei tomando uma taça de vinho. Estava, na verdade, me cansando de esperar, e estava quase dormindo quando ouvi minha porta se fechar.
   Ergui os olhos e ali estava ele, parado à porta.

   Ele disse "oi". Rouco e baixo. 
   Eu podia vê-lo graças à luz do meu abajur, e seus olhos estavam em chamas. As pupilas dilatadas, e quando me viu, instantaneamente sua respiração tornou-se ofegante.
   Eu quase pude tocar aquela corrente que tensionava dele em minha direção, sim, porque aquilo era o que chamamos de tensão sexual palpável, do tipo que deixaria pessoas ao redor constrangidas, caso houvessem pessoas ali.
   Então gatuno, em silêncio, ainda me olhando nos olhos ele caminhou em minha direção.
   Eu até que tentei balbuciar um "boa noite, tudo bem?", mas vi meu corpo respondendo àquele chamado silencioso da malicia no olhar dele. Vi meu corpo responder seu chamado mudo por meu corpo, e sua boca tomou a minha como sua.
   Senti o pinicar da barba e do bigode no meu rosto, mas não importava. Logo sua mão me envolveu num abraço, e a outra subiu por minha nuca, me agarrando os cabelos. Seu beijo explorava a minha boca, e eu pude sentir o gosto de álcool. Um sino distante tocou em minha mente "seria necessário beber para poder querer me tocar?" mas ignorei essa voz que me dizia que algo podia estar errado. Mas como poderia estar errado algo tão bom? Na verdade, aquele beijo tinha gosto de decisão. Como quando ficamos indecisos entre casar ou comprar uma bicicleta. E aquele beijo tinha gosto de bicicleta. 
   Sua língua aveludada explorava minha boca, e ele mordia e chupava meus lábios, quase doía, mas era bom. A intensidade do beijo aumentou quando ele desceu sua mão e a subiu novamente por dentro de minha camiseta. Seus dedos conheciam meu corpo, e suas mãos já eram familiares às minhas curvas. Ele apalpou um de meus seios, fazendo com que eu soltasse um suspiro em meio a um gemido de satisfação. Ele sorriu, mordendo meu lábio inferior. Estava me enlouquecendo.
   Estava à caminho de tirar minha blusa. Então afastou os lábios e me torturava olhando fundo em meus olhos enquanto puxava lentamente minha camiseta por cima da minha cabeça.
com seu braço livre, ele ergueu meu corpo, e novamente envolvidos num beijo apaixonado e quente nos embolamos em direção ao banheiro.
   Quebrando esse contato de pele, enquanto eu estava desnorteada, ainda tentando entender o que estava acontecendo, me encostando na parede do banheiro, ele ligava o chuveiro. Quando sua atenção se voltou para mim, eu parecia a presa, e ele estava me caçando. Ele era o caçador. Meu ventre se revirou, protestando em desejo.
  Ele se aproximou, como um felino, me olhando nos olhos, me comendo com os olhos, e abaixou minha calça, puxando e retirando minha calcinha junto.
voltou sua atenção para minha boca, atacando-a com outro beijo voluptuoso e cheio de desejo e luxúria, e silenciosamente me pediu para que eu entrasse na água. Eu estava em transe, apenas assenti, e entrei embaixo do chuveiro, aguardando com o coração descompassado no peito, a respiração acelerada e sentindo meu rosto esquentar.
Ele se despiu, e juntou-se a mim dentro do box, ainda não havia dito uma palavra sequer, mas continuava me olhando daquele jeito que me incendiava por dentro. Se aproximou de mim e me tomou em outro beijo quente, avassalador, enquanto puxava os cabelos da minha nuca, castigando meus lábios com mordidas. Seu membro duro, quente e pulsante estava pressionando minha barriga, e eu já estava quase implorando para tê-lo dentro de mim imediatamente.
  Como uma prece silenciosa, ele ouviu meu pensamento, me virando de costas, cheirando forte meu pescoço minha nuca, atrás dá minha orelha, e tudo o que eu conseguia fazer era soltar gemidos baixinhos de satisfação. Atendendo ao desejo ardente de me ter ali, enterrou-se em mim, e fomos feitos um.
  A mecânica dos nossos corpos e os movimentos são perfeitos e sincronizados, nos levando ao ápice daquele sexo quente e selvagem quase que ao mesmo tempo. Nem mesmo conseguíamos acalmar as respirações, pois já estávamos sedentos por começar novamente.
  Aquela sensação tamborilante é o pensamento constante que eu tinha era " isso está se parecendo muito com uma foda de despedida... O que tá acontecendo aqui?"
Não consegui compartilhar meu pensamento, porque fizemos mais vezes noite adentro, até pergarmos no sono, exaustos e satisfeitos. Foi o melhor sono que eu tive em dias. Até a conchinha estava perfeita. E é disso que vou me lembrar.
Porque realmente aquilo foi uma despedida.



Espero que não pra sempre.
Torço pra que seja um "até breve", e não um "adeus".

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