Des-Controle
Eu sei que pedi, aliás, que venho a alguns anos pedindo por mais.
Eu sei que ele não pode me dar o mais que sinto falta.
Sei que está além dele, e além de nós.
Nosso amor nunca queimou ardendo no peito. Sempre foi amor de aquecer a alma, mas nunca de incendiá-la.
Sempre foi calmaria, nunca tempestade.
E eu sinto falta da tempestade, ele sabe.
Sinto falta de perder o controle. Sinto falta da adrenalina de algo que me queima e me desestabiliza.
Sinto fata de estar à mercê emocionalmente de outra pessoa.
Sinto falta de algo que me faça sentir algo.
O problema é a personificação do controle.
Ele nunca perde o controle.
Nem das palavras, nem da paciência, nem das suas emoções, muito menos perde o controle de si.
Não quero que ele me controle: quero que perca o controle comigo.
Que passe o fim de semana, e ao ir embora, tudo o que ele consiga fazer seja lembrar do meu nome.
Quero que me deseje, e seja obcecado por mim, por minhas curvas - inclusive a do meu sorriso.
Quero que conheça e memorize meu corpo. Minhas pintas, rugas e estrias.
Mas ele nunca perde o controle.
Nem me deixa perder o meu.
As vezes esse controle todo me sufoca, e tudo o que quero, é gritar e sair correndo para as colinas.
Abandonar tudo mesmo. E pular num abismo desconhecido.
Aliás, eu ouço o abismo me chamar, e quero ouvir o chamado do abismo. Do infinito. Do desconhecido.
Quero saber que passei por aqui e vivi.
Quero adrenalina, emoção, fogo, atrito, carne.
Ser desejada.
Um tapa estalado, "sua gostosa".
Mas escolhi a estabilidade.
até quando?

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