What was I made for?
Existe um propósito na vida, eu sei disso. Só estou tendo muita dificuldade em encontrar um para a minha.
Tenho muita dificuldade em entender porque me permito que meus pensamentos desgovernados tenham controle absoluto sobre como me sinto, e fico abismada com a facilidade que esses mesmos pensamentos escancaram as portas e convidam para fazer morada em mim aquele vazio. Esse mesmo vazio com o qual converso desde os meus 13 anos, desde o inicio desse blog.
O vazio que foi causado por todas as necessidades não atendidas. O vazio causado pela solidão, pela inadequação, pela incompreensão, o vazio pela falta de oportunidade de fala, o vazio por não haver quem me escute além de mim mesma. E na maioria das vezes nem eu mesma quero me ouvir, nem quero me ver, nem quero me tocar, nem quero me alimentar, nem quero estar aqui, nem quero existir.
Pensei que nos relacionamentos houvessem fórmulas mágicas e que a prospecção da construção de um futuro em conjunto fosse, de alguma forma, eliminar esse tipo de conflito, esse vazio de existir, mas na verdade, o caminho que encontrei foi outro. Preenchi lacunas que eu não sabia que existiam em mim. Eu, que nunca pensei que teria um futuro, nem sequer que chegaria aos 30, e isso me parece bom. Quando observo, quando sou chamada à razão: "veja só tudo o que alcançamos juntos, olha pra tudo isso que conquistamos! porque não é o suficiente pra você? Olha onde estávamos e onde estamos hoje, quantas coisas mudaram! Para de arrastar com você essa bagagem do passado, ele só serve para vermos o quão bem estamos hoje" consigo permanecer por tempo suficiente no presente. É verdade, conquistamos tudo o que precisamos, temos tudo e mais. Temos condições necessarias para ter uma vida estável. Estamos melhores que 90% da população mundial, numa vida que pode ser considerada privilegiada.
No entanto, estou errada em querer mais? Será que é questão de querer ou de precisar? Aliás, eu nem sei o que eu quero.
Sera que me isolar não é a unica forma que eu tenho de me entender, e me resolver, e recolher meus cacos? Será que eu sou uma farsa? Sabotadora de mim mesma e da minha evolução?
Eu já entendi que é impossível estar num estado constante de agradecimento, gratidão, paz, harmonia e felicidade, e eu juro, estou tentando com todas as minhas forças, mas, não importa o quanto eu tente, eu não chego lá. E quanto mais próxima eu chego de qualquer estabilidade, eu faço por onde estragar tudo. por onde eu passo, parece que só deixo um rastro de destruição, e tentando ajudar, eu acabo por atrapalhar. Já diz o ditado "o inferno está pavimentado de boas intenções". E é pra lá que minha mente me leva. A maior parte do tempo é lá que minha mente vive. Num estado constante de gritaria, inquietação, acusações, culpa, remorso, ressentimento, vergonha e nojo.
Como a gente faz pra viver? Pra quê viver? Qual o sentido, e qual o propósito. E porque viver assim? Será que todas as pessoas no mundo lidam com esse mesmo tipo de pensamentos e sentimentos? Com essa mesma exaustão e cansaço. Com essa sobrecarga e principalmente, será que todas as pessoas no mundo vivem nesse mesmo estado que eu, de vazio e ingratidão?
Honestamente, eu me sinto desconectada da vida. dos meus sentidos.
Nada me preenche.
Nada me acalma.
Nada me trás paz.
Nada me alegra.
Nada me trás esperança.
E, eu só quero que essa viagem maluca e sem sentido acabe.
Estou me esforçando. Todo dia eu coloco a máscara. Todo dia eu tento. Eu como, eu bebo água, eu falo com Deus, mas parece que quanto mais eu tento, mais eu rezo, mais assombração aparece.
Mais uma vez, sinto que preciso de ajuda. E a verdade, é que eu não sei pedir. Tenho vergonha. E mesmo que houvesse alguém que quisesse tentar ajudar, eu não saberia por onde começar.
todo mundo tem problemas. os meus não são mais importantes que os dos outros. todo mundo ta sofrendo. todo mundo tá enfrentando coisas, e na maioria das vezes, desafios muito mais graves, e mais sérios que os meus. eu deveria ser grata pela vida que tenho. parar de reclamar. e continuar vivendo.
é isso que eu vou tentar fazer.
continuar tentando
viver.
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