Uma homenagem à nós dois
Quando você chegou eu estava com medo. Estava aflita, insegura, novamente pensando mil vezes e ponderando se valia a pena abrir o coração tão cedo, nem tive tanto tempo para cuidar de mim e ter só a minha companhia e estava aprendendo a amar minha solitude. Pensei muito se devia dar uma chance para tentar ou aproveitar por mais um tempo minha solteirice.
Você que é todo ansioso, estava cheio de medos, e de histórias mal resolvidas – assim como eu - você, que fala “pelos cotovelos”, fala mais que a boca, parece uma matraca, arrebentou as janelas e se forçou soturnamente para dentro da minha vida. Quando eu vi, tudo que era meu já era seu, e todas as minhas coisas e meu espaço já era menos meu e mais nosso, e meus travesseiros tinham seu cheiro.
Você com seus papos inteligentes, e nenhuma lábia, ou malícia, reclamando de tudo que você detesta nesse lugar, e de como você amava o lugar de onde veio, e de como sentia saudades da boa vida que você tinha, saiu derrubando meus muros, construindo pontes no lugar, para chegar até mim. Muitas vezes me perguntei se haveria realmente algum espacinho para mim na sua vida, porque realmente não sou o tipo de pessoa que se encaixa ou entende a realidade da vida que você tinha.
Você me ensinou a ter paciência novamente. Me mostrou que sou mais forte e independente do que eu pensei que fosse, quando, com muito esforço consegui fazer a maior parte de manter nós dois, e não foi problema, porque eu tinha você pra lutar comigo, e me afagar no final do dia. Você me fez perceber que minha fé é maior do que todas as coisas, e que, ainda que não seja da forma mais convencional, eu sou uma das pessoas “mais espirituais” que você já conheceu (olha a armadilha do ego aí!)
Eu estou só aprendendo com você. Aprendendo a não olhar a vida com malícia, e resgatar um pouco da inocência que a vida levou embora de mim. Você é como uma brisa fresca num dia de verão muito quente, ou como uma golfada de ar depois de um tempo prendendo a respiração debaixo d’agua preenchendo todo o pulmão.
Eu posso ser eu, posso falar as coisas que passam pela minha cabeça. Eu sei que preciso ser responsável por nós. Pelos planos que quero realizar com você. Entendo hoje como é diferente estar com alguém disposto a querer crescer e evoluir junto, mesmo que nossas áreas e objetivos sejam diferentes, hoje sei que estar em casa é estar em algum lugar onde também tem você lá. E pela primeira vez me vi criando um futuro que eu acredito que pode ser real, porque saiu da sua boca. Estamos criando nosso futuro juntos e eu não poderia estar mais feliz neste momento da minha vida.
Fazia tempo que eu não era feliz assim.
Você me trata com amor e respeito, você cuida de mim, mas não tanto a ponto de eu pensar que sou frágil e não posso fazer nada. Quando eu preciso de colo, você tem sempre um abraço quente e um cafuné. As vezes tem um desespero de me ver chorando também, mas hey, nem tudo na vida são flores né. Você me lembra de como é estar em casa com a minha família. Você me lembra meu pai, sua família me lembra a minha, e é como se esse tempo todo, tudo o que eu vivi, foi só para encontrar você.
Eu viveria tudo de novo, se no final eu estivesse aqui, e você estivesse aqui, e nossos caminhos pudessem se encontrar.
Por razões óbvias, se eu pudesse escolher, não deixaria você passar por tudo o que passou novamente, porque acho que você merece o mundo, e toda a felicidade que a vida pode te proporcionar. E do que depender de mim, vou me esforçar para que você sempre se sinta amado, querido, acolhido, respeitado, porque você não merece menos do que tudo de bom. E meu coração até dói, só de pensar em você sofrendo por qualquer razão que seja.
Quero que você se encontre, que você saiba que em mim você tem apoio, tem amiga, uma companheira, e alguém para acompanhar nos copos de cerveja num sábado à noite. Espero que você continue me escolhendo dia a dia, porque todos os dias eu escolho estar feliz, por isso escolho estar com você.
Muito obrigada por tudo.

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