Transbordar (13/03/2019)
Eu sempre estive namorando. Aliás, estou a mais tempo envolvida em relacionamentos do que tive a chance de me conhecer sem alguém ao lado. Percebo hoje, inclusive, como tem sido difícil encarar minha vida só comigo.
Acho que todo esse tempo eu apenas estive procurando por alguém que pudesse preencher os espaços do meu vazio existencial. Alguém que encontrasse em mim coisas que eu não via em mim mesma. Que me amasse e admirasse esses detalhes e encontrasse coisas boas em mim, das quais valessem a pena sentir algum orgulho.
Penso hoje no quão solitário isso soa.
Não acho que as coisas devessem ser dessa forma. Minha dependência nos meus relacionamentos, ou a minha “entrega” talvez não fosse pelo sentimento que eu tivesse por meu parceiro em si, mas fosse a dependência de querer ter alguém ao meu lado que quisesse estar comigo, e apreciasse a minha companhia.
Alguém a quem eu pudesse ter alguma utilidade, e que valorizasse a mim, como eu não podia fazer por mim.
Veja bem, isso não é um lamento. É apenas eu me dando conta que este tempo todo eu estive procurando suprir minhas carências contando com as pessoas erradas. Eu deveria ser capaz de suprir minha carência comigo mesma. Eu me apaixonar por mim, apesar dos meus defeitos aceitando a pessoa que eu sou. Admirando minhas qualidades e minhas peculiaridades.
Como posso cobrar de alguém que me ame, quando eu sequer sou capaz de fazer isso por mim mesma?
Hoje eu não preciso de alguém que me complete. Eu preciso ser completa. Então, quando esse dia chegar, eu aguardarei ansiosamente para ter ao lado alguém que me transborde.
É isso.

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