Justificativas ou desculpas?

Acho que estou indo bem. De repente tudo fica ofuscado, perco a noção e o controle, e aí o desespero toma conta.

Faz um bom desde o meu último pico - o mais feio foi no finalzinho de janeiro, logo depois da minha postagem "um souvenir pra mim". Não imaginei nunca que eu voltaria a pensar em suicídio, ou mesmo que eu tentaria, mas eu fiz, e fiquei 5 HORAS conversando com o pessoal do CVV. O que me fez chegar à conclusão que eu precisava de ajuda. Nem preciso falar sobre o valor absurdo que é a consulta com especialistas, não é? então, ainda estou numa lista de espera pra ser atendida. Nesse meio tempo, vou vivendo como dá. Um dia após o outro.
Confesso que mais uma vez, encontrei meu abrigo em Deus, que tem me acolhido e me carregado no colo nos dias mais difíceis, e isso tem me dado algum conforto.

Em alguns momentos tenho lapsos de lucidez, outros tenho lapsos emocionais e acabo metendo os pés pelas mãos: consigo analisar situações friamente, e depois de analisá-las eu tomo as decisões mais difíceis, então logo o lapso racional passa, o emocional toma conta, e acabo voltando atrás do que eu havia dito, arrependida.

Depois de ter terminado o mais longo de todos os relacionamentos que tive até hoje, fiquei incessantemente buscando por aquele sentimento descontrolado que me incendiasse. Encontrei algo parecido com o que eu buscava, mas, já diz aquele ditado: nem tudo o que reluz é ouro, e claro, quebrei a cara. Gente, tava na cara que ia dar ruim, só eu que não tava vendo. Paguei pra ver, e ai fiquei assim, totalmente descontrolada, louca, indecisa, enfim, essa bagunça.

Para minha surpresa, ele me quis de volta, e nem preciso falar que eu estava mais do que feliz por ter sido "aceita" de novo,e decidimos tentar novamente. Mas as coisas jamais voltariam a ser como eram antes, principalmente porque eu estava e ainda estou quebrada. Não sou mais a mesma pessoa. Não consigo mais oferecer amor incondicional, não quero nunca mais organizar minha vida pra me encaixar no molde ou na vida de outrem. Não parece justo comigo mesma. E não parece certo que eu novamente entre num relacionamento agora, muito menos se não consigo estar apaixonada pela pessoa 24 horas por dia.
O simples fato de ele não ser meu primeiro pensamento ao acordar, nem o ultimo ao dormir faz com que eu pense que essa pessoa, a quem eu tanto amo e estimo, merece muito mais do que receber sentimentos pela metade. Eu mesma não aceitaria alguém comigo pela metade.

O que eu sei, é que quando estamos próximos um do outro, tudo está bem, tudo está certo. Mas quando se mora sozinha, o tempo passa de uma forma muito confusa, e o passar de uma semana e como que a passagem de um mês, logo com a distância, e pela pouca frequência que nos vemos ou nos falamos, é como se a chama do sentimento fosse se apagando. As vezes, parece até que a pessoa nem faz parte da minha vida... Isso é bastante confuso. Pior ainda para mim, saber que a forma como sinto em relação às pessoas está diretamente ligada e proporcional ao tempo e à distancia e frequência com a qual nos vemos. Incrivelmente isso também acontece com a minha distância com minha família. Graças a Deus mamãe, papai e minhas irmãs estão sempre vindo pra cá. 

Isso tudo deve-se somar ao fato de que eu finalmente estaria disposta a tentar não errar mais com Deus. Essa situação estava afetando meu relacionamento com Deus de tal maneira que eu já não conseguia mais orar. Sem contar o fato de que eu ficava esperando em promessas (de casamento) vazias, quando na verdade os pedidos meio que soavam como uma barganha pra fazer com que eu ficasse, mas sem ter a verdadeira intenção de levar isso adiante por agora.
Bom, eu não gosto muito de meio termos, isso não mudou. Logo, eu não poderia ficar no meio termo apenas pra ter o melhor dos "dois mundos", quando eu sequer conseguia dobrar os joelhos para agradecer a Deus pelo meu dia.

No fim, eu só estou tentando justificar pra mim mesma as razões que me levaram a decidir pelo fim dessa vez. Eu não sei, mas acho que no fundo espero que haja um fim definitivo. E também não sei até que ponto estamos tentando resgatar sentimentos baseados nas pessoas que éramos pouco mais de um ano atrás, ou se estamos tentando algo novo. O que sei é que não tenho estabilidade suficiente em mim pra tentar me relacionar com ninguém agora, muito menos à distância. 
Eu fico imaginando quando que a paciência dele vai acabar e ele vai mandar eu catar coquinho...

Honestamente, creio que quando estamos com alguém, nós sabemos se queremos um futuro com essa pessoa, ou não, e ficamos sim imaginando ilimitadas variáveis de rotinas e estilos de vida com essa pessoa. O que já não é mais o caso. Antes meu desejo, de todo coração, era casar com ele. Esse desejo - de casar-  não existe mais, tampouco guia minha vida. Não estou preocupada com visualizar um futuro assim agora. E como posso permitir fantasiar ou embarcar nessa ideia, mesmo que ela surja por parte dele, quando no fundo, meu coração não compartilha desse mesmo desejo?

Parece que estou me forçando a embarcar nessa situação porque anseio corresponder um sentimento que já não sinto mais com tanta intensidade. 
E estamos separados, mas ainda estou aqui, sugando a energia dele. Querendo fazer parte, querendo ter meu melhor amigo de volta, sem entender de verdade que não temos maturidade para manter uma amizade, haja posto que existe sentimento entre nós.

Parece que o alimento do meu sentimento é a frequência e a proximidade. Quanto mais distante, e menos nos vemos, menos eu sinto, até chegar ao ponto de eu esquecer das pessoas. Fiz isso com todos os meus ex. Eles estão no passado. Como se tivessem morrido. No entanto, não consigo enterrar ele. Não quero perdê-lo. Mas também não quero tê-lo.
Não é que eu não queira por não amar. Eu amo. Só não sei se tem como ser feliz assim... pela metade.

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