"NADA NOS DEIXA TÃO SOLITÁRIOS QUANTO OS NOSSOS SEGREDOS" - Paul Tournier

sábado, 23 de dezembro de 2017

O que fiz com o que sobrou de mim?

  Aqui nesse lugar estava tudo quadradinho, minha vida encaixadinha, tudo meticulosamente planejado, como jogo de tetris - quando jogado por gente habilidosa. Mas não entendi. Em 30 segundos minha cabeça deu um looping, joguei a porra toda pro alto, e, junto com as madeixas do meu cabelo, comecei um ciclo de mudanças. 
  Mudança de postura, mudança de pensamentos, e mudei até o endereço.

  Durante oito meses, que pareceram uma eternidade, estava lutando bravamente pra continuar na linha, tentando segurar aquela ponte que existia entre ele e eu. Era como se eu visse que a corda estava para se romper, e por mais que eu enrolasse ela na minha mão até que começasse a sangrar, todo o esforço era vão pois a corda estava para arrebentar lá no meio, longe do meu alcance. Segurar a corda doía. Eu estava calçando um sapato que já não me cabia mais. Lindo! E que eu amava, mas que me causava bolhas nos pés e deixava meu andar difícil. Como quando a gente engorda e não cabe mais nas roupas antigas.

 Mas eu aguentei. Fui até o último suspiro. O meu grito pelo adeus estava sufocado, e a voz já quase não saía. O golpe de misericórdia que dei em nosso relacionamento foi principalmente para ver se eu conseguia resgatar o restinho de sanidade que existia em mim. Pois eu mesma já havia me prometido que eu nunca mais passaria por qualquer situação assim novamente. Que eu não seria fraca. E que estaria com ele enquanto nós fizéssemos bem um ao outro. 

  Estar estável e acomodado trás problemas.
 Você acaba ficando tão acostumado com aquela pessoa que está com você, porque parece que ela sempre esteve ali, que você acaba assumindo que essa pessoa nunca nunca vai sair da sua vida. E esse, é o maior erro que você comete. 
Porque os pequenos gestos e as gentilezas ficam esquecidas. 
As mensagens ficam dias sem serem respondidas.
As vezes se recebe um bom dia.
Você vira o Woody, empoeirando na estante, esperando ansiosamente pelo dia em que o Andy chegue e te escolha mais uma vez pra brincar.
Você, que é uma pessoa, acaba virando um souvenir. 

Então, chutei o pau da barraca.
Me dediquei algumas semanas pra sofrer.
Aliás, sofri ainda mais com a indiferença dele, mas OK.
Algumas coisas, a gente acha que vai durar pra sempre, se planeja, se organiza. Vai em busca de uma formação, e pensa: "nossa, eu vou ser alguém foda, porque a pessoa que está comigo é tão foda que merece somente o melhor". Quando na verdade temos que pensar que nós é que merecemos o melhor. Nós merecemos a felicidade, e viver de migalhas é muito pouco, principalmente porque concordo que nós somente aceitamos do outro aquilo que nos julgamos merecedores de receber, e eu pensei que eu merecia ser feliz.
Mesmo que isso implicasse jogar tudo que era "certo" para o alto, e dar ouvidos ao abismo que me gritava aos ouvidos: "PULE".

E eu pulei mesmo.
Não me arrependo.

Lá no fundo do abismo encontrei um par de olhos castanho claros..


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Des-Controle

Eu sei que pedi, aliás, que venho a alguns anos pedindo por mais.
Eu sei que ele não pode me dar o mais que sinto falta.

Sei que está além dele, e além de nós.
Nosso amor nunca queimou ardendo no peito. Sempre foi amor de aquecer a alma, mas nunca de incendiá-la.
Sempre foi calmaria, nunca tempestade. 
E eu sinto falta da tempestade, ele sabe.

Sinto falta de perder o controle. Sinto falta da adrenalina de algo que me queima e me desestabiliza.
Sinto fata de estar à mercê emocionalmente de outra pessoa. 
Sinto falta de algo que me faça sentir algo.

O problema é a personificação do controle. 
Ele nunca perde o controle. 
Nem das palavras, nem da paciência, nem das suas emoções, muito menos perde o controle de si.

Não quero que ele me controle: quero que perca o controle comigo.

Que passe o fim de semana, e ao ir embora, tudo o que ele consiga fazer seja lembrar do meu nome.
Quero que me deseje, e seja obcecado por mim, por minhas curvas - inclusive a do meu sorriso.
Quero que conheça e memorize meu corpo. Minhas pintas, rugas e estrias.

Mas ele nunca perde o controle.
Nem me deixa perder o meu.

As vezes esse controle todo me sufoca, e tudo o que quero, é gritar e sair correndo para as colinas.
Abandonar tudo mesmo. E pular num abismo desconhecido.
Aliás, eu ouço o abismo me chamar, e quero ouvir o chamado do abismo. Do infinito. Do desconhecido.

Quero saber que passei por aqui e vivi.
Quero adrenalina, emoção, fogo, atrito, carne.
Ser desejada.
Um tapa estalado, "sua gostosa".

Mas escolhi a estabilidade.
até quando?