"NADA NOS DEIXA TÃO SOLITÁRIOS QUANTO OS NOSSOS SEGREDOS" - Paul Tournier

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Des-Controle

Eu sei que pedi, aliás, que venho a alguns anos pedindo por mais.
Eu sei que ele não pode me dar o mais que sinto falta.

Sei que está além dele, e além de nós.
Nosso amor nunca queimou ardendo no peito. Sempre foi amor de aquecer a alma, mas nunca de incendiá-la.
Sempre foi calmaria, nunca tempestade. 
E eu sinto falta da tempestade, ele sabe.

Sinto falta de perder o controle. Sinto falta da adrenalina de algo que me queima e me desestabiliza.
Sinto fata de estar à mercê emocionalmente de outra pessoa. 
Sinto falta de algo que me faça sentir algo.

O problema é a personificação do controle. 
Ele nunca perde o controle. 
Nem das palavras, nem da paciência, nem das suas emoções, muito menos perde o controle de si.

Não quero que ele me controle: quero que perca o controle comigo.

Que passe o fim de semana, e ao ir embora, tudo o que ele consiga fazer seja lembrar do meu nome.
Quero que me deseje, e seja obcecado por mim, por minhas curvas - inclusive a do meu sorriso.
Quero que conheça e memorize meu corpo. Minhas pintas, rugas e estrias.

Mas ele nunca perde o controle.
Nem me deixa perder o meu.

As vezes esse controle todo me sufoca, e tudo o que quero, é gritar e sair correndo para as colinas.
Abandonar tudo mesmo. E pular num abismo desconhecido.
Aliás, eu ouço o abismo me chamar, e quero ouvir o chamado do abismo. Do infinito. Do desconhecido.

Quero saber que passei por aqui e vivi.
Quero adrenalina, emoção, fogo, atrito, carne.
Ser desejada.
Um tapa estalado, "sua gostosa".

Mas escolhi a estabilidade.
até quando?



sábado, 24 de junho de 2017

Uma homenagem aos romances que só se vivem uma vez na vida

Amadurecer é uma tarefa árdua. 
Encontrar razões pra levantar todos os dias resume-se a: "tenho que seguir em frente pois as contas não se pagam sozinhas".
Certas lembranças a sensações ficam perdidas no tempo e por vezes, intocadas, acabam esquecidas.

Mas não quando a insônia chega.

Não quando, mais uma vez, você se pega tentando entender o rumo das coisas e o que diabos foi que aconteceu com sua vida, e tenta entender porquê razão, apesar de ter tudo o que queria, ainda não se dá por satisfeita.
Você se pega lembrando das travessuras da adolescência, e fisga na memória um olhar quente sobre o seu, e se afoga com a intensidade de um toque. De um beijo. Um abraço, um afago, um cafuné...


Você se lembra de um sorriso diabólico, capaz de estremecer sua fé, arrepiar cada fio de cabelo, te atrair pra escuridão esmagadora e tentadora de um pecado irresistível demais para ser rejeitado.
Você se lembra de uma voz embriagadora, capaz de levar sua sanidade embora, e pedir aos céus para que a ardência pela ausência do toque em seu corpo acabe.
Um toque. Sinistro. Frio. Arrebatador.

Era o suficiente para jogar ao alto todos seus valores de conduta, e princípios de vida.
Pureza. Santidade. Talvez até a eternidade.
Mas aquele arder, o queimar do peito e da pele pela urgência de um beijo avassalador, não está ali.
O arrepiar da pele com um sopro de hálito quente na nuca, também não está ali, nem as marcas de mordida  na pele escondidas sob a roupa.

Você abre os olhos no escuro da noite. Rodeado pela sua vida perfeita. 
A namorada perfeita. O emprego perfeito. A formação perfeita.


Hoje é apenas um carinho gostoso, nada aterrorizante, nada além de uma sombra de uma sensação, apenas a segurança de uma vida estável. Nada que te faça perder o controle, a razão, ou a paz.
Não me entenda mal, isso também é bom.

Mas a ânsia, pela vida que a adrenalina do errado traz não morre. 
E não é que você queira que aconteça novamente agora, mas reviver um dia, ou dois, seria tão bom!


O fato, é que, rápido de mais, aquele tempo da adolescência passou e acabou. 

Infelizmente, além das lembranças, agora só te resta fechar os olhos, com o doce, e ainda, amargo, gosto da realidade que bate à sua porta.  
Não que ela seja ruim. E não que eu esteja reclamando. Mas ainda está tão longe de alcançar tudo que já foi.
Um amor que te descabela, te desestabiliza, descontrola, deixa fora de si. Acelera o coração, a respiração, te aquece e faz chorar. Uma montanha russa emocional. Dominação, submissão de sentimentos, de corpo, de alma. Dependência como drogas. 
Não é saudável.. É destrutivo. Você sabe disso. 
E ainda assim, é tudo o que você quer.


Será que ainda existe algo assim reservado pra você?
Ou só te resta se conformar, que um amor assim, só acontece uma vez na vida, e a sua chance já passou? O que você tem em mãos é o melhor que você terá?

... 

Se este for o caso, ao menos seja grato.