"NADA NOS DEIXA TÃO SOLITÁRIOS QUANTO OS NOSSOS SEGREDOS" - Paul Tournier

sábado, 24 de junho de 2017

Uma homenagem aos romances diabólicos que só se vivem uma vez na vida

Amadurecer é uma tarefa árdua. Encontrar razões pra levantar todos os dias resume-se a: "tenho que seguir em frente pois as contas não se pagam sozinhas".

E certas lembranças a sensações ficam perdidas no tempo e por vezes, intocadas, acabam esquecidas.

Mas não quando a insônia chega.

Não quando, mais uma vez, você se pega tentando entender o rumo e o que diabos foi que aconteceu com sua vida. E a final, tenta entender porquê razão, apesar de ter tudo o que queria, ainda não se dá por satisfeita.

Você se pega lembrando das travessuras da adolescência, e fisga na memória um olhar quente sobre o seu.
Você fisga na memória, e se afoga com a intensidade de um toque. De um beijo. Um abraço, um afago, um cafuné, acompanhados de um perfume particular, inconfundível.

Você se lembra de um sorriso diabólico, capaz de estremecer sua fé, arrepiar cada fio de cabelo, te atrair pra escuridão esmagadora e tentadora de um pecado irresistível demais para ser rejeitado.

Você se lembra de uma voz embriagadora, capaz de levar sua sanidade embora, e pedir aos céus para que a ardência pela ausência do toque em seu corpo acabe.

Um toque. Sinistro. Frio. Arrebatador.

É o que precisava para jogar ao alto todos seus valores de conduta, e princípios de vida. Pureza. Santidade. Talvez até a eternidade.

Mas aquele arder, o queimar do peito e da pele pela urgência de um beijo avassalador, não está ali.
O arrepiar da pele com um sopro de hálito quente na nuca, também não está ali, nem as marcas de mordida  na pele escondidas sob a roupa.

Você abre os olhos no escuro da noite. Rodeado pela sua vida perfeita.
A namorada perfeita. O emprego perfeito. A formação perfeita.

Hoje é apenas um carinho gostoso, nada aterrorizante, nada além de uma sombra de uma sensação, apenas a segurança de uma vida estável. Nada que te faça perder o controle, a razão, ou a paz. Não me entenda mal, isso também é bom.

Mas a ânsia, pela vida que a adrenalina do errado traz não morre.
E não é que você queira que aconteça novamente agora, mas reviver um dia, ou dois, seria tão bom!

Você nem percebeu que sua mente, sua memória trapaceira te levou pra um dia no passado. Uma sala de Jogos talvez? Um sofá? Um apartamento vazio, um perfume doce e enjoativo - mas não tanto-, uma torta de limão...
Você nem percebeu que de repente o aperto compartilhado da sensação nostálgica também chegou em você, e você abriu um sorriso. Não largo, mas um sorriso de satisfação.
Sim, também chegou em você. Sim. Você não é a única a lembrar, pensar, e querer reviver.

O fato, é que, rápido de mais, aquele tempo da adolescência passou e acabou, mas ele existiu.
Os toques. As vozes também, os caminhos também.

Infelizmente, além das lembranças, agora só te resta fechar os olhos, com o doce, e ainda, amargo, gosto da realidade que bate à sua porta.  Não que ela seja ruim. E não que eu esteja reclamando. Mas ainda está tão longe de alcançar tudo que ja foi.

Um amor que te descabela, te desestabiliza, descontrola, deixa fora de si. Acelera o coração, a respiração, te aquece e faz chorar. Uma montanha russa emocional. Dominação, submissão de sentimentos, de corpo, de alma. Dependência como drogas. Psicólogos e psiquiatras dirão que não é saudável, que é destrutivo. Você sabe disso.
E ainda assim, é tudo o que você quer.

Será que ainda existe algo assim reservado pra você?
Ou só te resta se conformar, que um amor assim, só acontece uma vez na vida. E a sua chance já passou.
O que você tem em mãos é o melhor que você terá. Se este for o caso, ao menos seja grato.