"NADA NOS DEIXA TÃO SOLITÁRIOS QUANTO OS NOSSOS SEGREDOS" - Paul Tournier

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

I set you free

Tenho passado por algum dos lugares onde costumávamos ir juntos, vendo as mesmas paisagens, vez o outra o mesmo cheiro de grama recém-cortada, ou a extensão gigantesca do rio de Bertioga logo ali, perto do meu trabalho vez ou outra sinto o cheiro de amaciante que sempre fica na sua roupa, ou o cheiro de água salgada misturada com areia da praia e partículas que se desprendem das rochas onde as ondas batem incessantemente, sem nunca encontrar uma passagem ou um desvio. Até mesmo quando vou no carrinho de lanches da tia e sinto o cheiro de bacon fritando na chapa, no meu período de espera pelo suculento x-bacon salada...
Tantas coisas me lembram de você e quase me parece que uma vida inteira foi passada do seu lado. E lembro novamente, que tudo isso ocorreu em um pequeníssimo espaço de tempo. Apenas dois anos. Tempo tão curto, que gravou na minha cabeça dezenas de coisas que não consigo esquecer.
Gravou as promessas que fizemos um ao outro, e que foram nada, a não ser palavras ditas num momento de euforia e contentamento, tão passageiro quanto o movimento de rotação que faz a terra mudar o dia para a noite.

Na verdade, cheguei a conclusão de que muita coisa provável e obviamente foi em vão: As renúncias, aceitações, entregas, imposições, o sentimento em si, de nada valeu nem sequer lutar por ele.
Pois no final, cá estou eu novamente a segurar a ponta do elástico que você soltou, sem se importar se iria me machucar ou não. Me agarro de forma louca e descontrolada a esse sentimento, e me vejo no seu portão gritando seu nome, implorando pelas migalhas de atenção que antes eu recebia sem esforço algum, e nunca precisei dividir.
Hoje luto para permanecer em algum cantinho do seu coração, que a tanto custo divido com seus outros amores, paixões e todos os outros fantasmas dentro de você, a vejo, que não pertenço mais a você...Que o sentimento não é recíproco, e que não há mais nada que te prenda a mim.
Olhar no espelho causa-me repulsa, uma figura amarelada, esquelética, e cheia de marcas no corpo, no coração e na alma. Olho para mim, e pergunto de onde saiu esse monstrinho que está tomando o lugar do meu eu, que não ri, não come, não sai, ou conversa...

Vejo o quão insignificante é tudo isso, quando aqui estou eu, pesando 50kg., enfraquecendo um pouco mais a cada dia, enquanto você fortalece seu corpo para exibir à outras, e rir daquilo que sinto.
É, talvez isso tudo tenha me levado a um ponto de loucura que eu jamais imaginei que chegaria, o ponto em que desisti da minha vida, e que por algum milagre divino não aconteceu. Me esborrachei, machuquei, magoei. E pra que? Pra te ver viver e ser feliz enquanto meu corpo apodrecia num caixão, sem que houvesse uma lágrima sua de tristeza a ser derramada para mim.

Já que é para ser insignificante a esse ponto, renuncio a esse amor, ou sentimento, seja lá o que for isso...Te prendi, pressionei, controlei, machuquei, pois foi essa a forma que você me ensinou a amar. Deixei o medo de te perder, e a insegurança me dominar.. Se um dia eu deixasse você livre, você voaria, e não voltaria mais. Viu como sei prever o futuro? Desculpe por ter sido egoísta, e ter acreditado que seu amor por mim jamais acabaria.

Eu criei aquele costume de me imaginar velinha e cheia de rugas numa cadeira de balanço do seu lado, e sinto falta desse conto de fadas que repetia incessantemente para mim. O meu "happily ever after". Achei mesmo que poderia te fazer feliz, mas acabou que esse meu amor todo torto que você tanto desejou e "sempre quis", não é e provavelmente nunca foi suficiente. Paciência...

Em um domingo quente pela manhã, nós dois ouvimos dizer que "O sentimentos que é verdadeiro permanece no coração, passe o tempo que passar". Acabou que agora percebi o quão não-verdadeiro era o que sentíamos. Pelo menos não era verdadeiro o suficiente para manter0nos unidos.
Deixo aqui meu apelo ao tempo, ou à Deus, ou a qualquer um que possa me curar dessa doença que se criou em mim de tanto querer você, e que esse mesmo me ensine a te esquecer, e acreditar novamente no amor, do tipo mais puro, insensato e intenso que senti em cada segundo que passei com você.
(...)

Imaginei toda uma vida ao seu lado, onde estive contigo até seu último instante de vida, e esperei para te reencontrar novamente como sempre fizemos, do outro lado, em outra vida, no inferno, ou no Céu...
Então agora vejo todo meu sonho lindo e meu amor desmoronar, e sinto-me obrigada a te libertar. É...

Eu te liberto. Do meu amor, te liberto dos meus sonhos. Te liberto das promessas. Te liberto de fazer parte da minha vida.
Chegou a minha hora de te deixar partir. Você está livre, e não precisa mais voltar.

Eu vou encontrar em algum momento meu caminho de retorno, e a base que havia em mim antes de você aparecer. Eu vou viver, eu vou seguir em frente, sem você dessa vez.
Só desisti por não ter mais condições de acreditar num amor, ou sentimento, que não existe mais. Aquele que nos envolvia na fumaça de felicidade, e que chegava perto da perfeição.
Não sei se sei amar assim. Meu amor machuca, à você, e à mim.
Então por isso... I set you free.

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