"NADA NOS DEIXA TÃO SOLITÁRIOS QUANTO OS NOSSOS SEGREDOS" - Paul Tournier

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sonho ruim


acordei ofegante, mal podia me lembrar do sonho...Sei que era ruim, porque se tivesse sido bom, eu não aparentaria ter corrido uma maratona de pelo menos 2O km.
E, de repente, milhares de coisas começaram a vir em mente. Milhares de coisas que somente meu pensamento conhece.
Já eram mais de 2 da matina, e tudo o que eu consegui fazer, foi respirar fundo e deixar que meu bom senso reprimisse aquela represa que ameaçava arrebentar.
Foi uma noite diferente. Momentos vividos nos últimos anos me vieram, e me balearam novamente, e tiveram o mesmo impacto que no momento em que elas aconteceram.
Pior, é que só consegui me lembrar das coisas ruins. Das coisas que perdi, das que não conquistei, das que desisti...

Eu sabia que estava acordada, mas parecia um sonho. Outro pesadelo. Porque não pude voltar atrás e refazer. Palavras, ações, decisões, encarar medos... Não pude. E, fiquei incapacitada, deixando que as lágrimas caíssem, e molhassem minha pelúcia em forma de coração.
Sentei, e tentei reorganizar meus pensamentos.
Eu queria alguém ali, pra conversar comigo. Alguém pra me entender.

E aí, mais forte, me baleando outra vez, lembrei que há tempo essa pessoa se foi. Levando segredos consigo. Meus, seus, nossos. Ela não estaria jamais, ali outra vez pra me ouvir, e me aconselhar...
O nó na garganta subiu, e não tentei mais controlar tudo aquilo que transbordava.
Segurei meus joelhos, e abaixei a cabeça, chorando baixinho pra não acordar o pessoal na casa. Soluçava, e todas aquelas feridas que eu julgava ter cicatrizado, se abriram, se romperam... e doeu.
Doeram, por me fazerem perceber, o quanto eu estava sendo estúpida tentando agradar todo mundo sem sucesso nenhum. Doeram porque me fizeram ver, que a vida toda, tudo o que eu fiz pelos outros foi inútil, que a minha existência na vida dessas pessoas (todas - ou grande parte delas) era descartável, dispensável.
E doeu ainda mais, porque eu queria que nada tivesse mudado. Que todas elas jamais tivessem partido, que jamais tivessem me deixado. Que tivessem dado valor pelo que fiz por elas. Pelo que senti por elas. Porque houve verdade.

Eu chorei, porque queria que elas todas, ainda fizessem parte da minha vida, e que um dia pudéssemos sentar todos nós, e rir disso tudo. Rir dos erros, dos acertos. nos dar abraços, pedir perdão... Mas não vamos.
E essa dor, é minha. Só minha.

Deitei e me cobri, fazia frio. Com a cabeça sobre a pelúcia de coração e coberta me encolhi, e abracei meu ursinho, como se ele pudesse falar e me tranqüilizar. A dor ainda latejante... E eu agora me perguntava, porque lembrar de tudo isso?
eu estava feliz. eu havia esquecido... Então porque? E em resposta, lembrei da foto da felicidade. Que eu reconhecia, mas que não era a minha.
Eu queria uma igual. Queria estar feliz da mesma forma.
e lembrei o do pesadelo.

Era só um buraco. Vazio. Sem fim...
onde eu caía, caía, caía...
e vi, que nem era diferente de tudo o que eu vivo hoje.
Sem cor. Nada é mais do jeito que era. E a felicidade que era a minha, não está mais comigo...
não se trata de amor, se trata de estar feliz.
Mas, se há o amor, e não há a felicidade... onde eu estou errando?

O raciocínio foi ficando mais lento, e olhos pesados pela quantidade de lágrimas derramadas, a cabeça latejava. Fechei os olhos pra diminuir o peso dos mesmos, o inconsciente me alcançou, e aí, eu dormi.
E voltei pro sonho.

Era só um buraco. Vazio. Sem fim...
onde eu caía, caía, caía...

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