"NADA NOS DEIXA TÃO SOLITÁRIOS QUANTO OS NOSSOS SEGREDOS" - Paul Tournier

terça-feira, 5 de abril de 2011

Solidão



Estar em casa, quase sempre traz a sensação de estar sozinha. Seja porque poucas coisas são ditas, poucas palavras são dirigidas. O único momento em que não há a solidão, são as horas de briga. Justamente, são essas as horas que eu realmente queria estar sozinha.
É engraçado, porque existe essa rotina, e todo dia é igual. não muda. As mesmas tarefas, o mesmo silêncio, a mesma playlist com as mesmas músicas...

Durante muito tempo essa sensação de solidão "ninguém me ma ninguém me quer" vem acompanhando-me . Seja por causa de família, amigos, relacionamentos extra... Eles sempre me deixam traumatizada. Até, porque, muitas relações foram cortadas, de formas erradas, dramáticas, e conseqüentemente, traumáticas (pra mim, pelo menos era.)
Terminaram de forma errada. E machucaram muito.

Eu tenho problemas com intensidade. Vivo sentimentos intensamente.
Amo demais, estou apaixonada demais, odeio demais, TUDO em demasia. As vezes isso é um problema.

Depois de ter tido tantos problemas com relacionamentos traumáticos, decidi que ia controlar essa demasia, o excesso, e tudo o viesse com exagero. Que ia controlar o que sentia, e que não ia mais sofrer. Parei de esperar pelo príncipe encantado, porque sempre aparecia o cavalo, ou o sapo (que não era encantado).
Só queria alguém que me amasse, e que fizesse de mim, seu objeto de desejo em tempo integral. Que pensasse em mim, me ligasse, e que sentisse isso e se esforçasse para estar comigo, e que fizesse durar. Que me valorizasse por quem sou, e que nunca tentasse mudar-me, ou moldar-me.
Nem precisava ser perfeito. Bonito, rico, whatever. Só queria que me amasse. E continuasse amando, mesmo como passar do tempo.

Quando apareceu o grande amor... Ele me tirou do meio daquela solidão.
E colocou-me num lugar onde eu me encaixava. Mas com tantos traumas, não queria acreditar que esse grande amor era meu. Que essa entrega de sentimentos, e de vida era pra mim. Que não merecia essa adoração incondicional. Ah, mas adorava a fumaçinha de felicidade... Deus, como gostava disso! Como amava o universo paralelo criado só para nós.
Mas aquilo vinha com o medo. Não queria sofrer mais. Já tive decepções suficientes pra duas pessoas velhas.
Não acreditei nesse amor. Mandei-o embora. E ele foi.

Os preenchimentos que vieram depois, eram sempre passageiro, mas todos acompanhados de finais traumáticos.
A taça sempre quebrava antes de encher toda, e jogava tudo pelo chão.

Depois de certo tempo, o grande amor deu-me outra chance.
Recebi-o de bom grado. Achava-me agora merecedora desse amor.
Mas, o amor havia mudado. Não havia mais a entrega total dos sentimentos.
Ainda assim, me permitiu amar com toda a intensidade de que fosse capaz.
Eu queria fazer o amor feliz, e deixei que ele entrasse, e tomasse cada cantinho do meu coração.

Esqueci todos os traumas, e entreguei-me ao máximo para esse amor.
Prendia-me a cada detalhe no começo. Cada sorriso, palhaçada, piadas internas, cada carinho, expressão, pensamento, cada conversa. Tentando conhecer o amor.
A cada dia que se passava, apeguei-me mais e mais a esse amor. tornando-me dependente dele.
De forma que precisava ouvir sua voz, ao menos uma vez no dia. Precisava dizer que o amava.
No começo, era extremamente recíproco. havia ciúmes, havia preocupação, declarações espontâneas, necessidade de toque, saudades... No começo, havia um conto de fadas.

Agora, chegam os meios.
E os meios assustam. Há pouco menos da metade do que havia no começo. Poucas gargalhadas, pouco ciúmes, pouca preocupação, pouca demonstração de afeto. Há solidão.
A saudade, essa permanece. INTACTA, em meu coração.
Cada dia, é como se eu estivesse deixando esse amor escapar das minhas mãos. Como se a unica maneira de fazê-lo ficar, é ceder. e chamar atenção não resolve. Pelo contrário, gera desentendimento...
agora, corro desesperadamente atrás desse amor. Com todas as forças que tenho, mesmo que sejam poucas... Mas percebi que o inevitável uma hora vai chegar.
Uma hora, esse amor vai embora. E vai me deixar
E é onde a sensação de solidão, tristeza, abalo psicológico chega com força total.

Apesar de ter encoberto os traumas, e não demonstrar pra ninguém, eles estão aqui.
E eles machucam. E, descobri que eu não tenho força psicológica pra outra decepção.
Que essa minha necessidade de aceitação, de estar com alguém, só pioram a minha situação de dependência. É como se eu só pudesse viver, se tivesse um motivo. E cada vez que essa razão acaba, o baque é sempre pior, e abre cada ferida uma vez coberta com cascas.
E torna essas feridas cada vez mais profundas.

Eu não sou forte, nem pra mim, e nem pra ninguém.
Eu quero é ser protegida. Quero ser amada, da mesma forma que amo. que seja recíproco pelo menos uma vez mais.
Eu tenho 10 dias pra que essa solidão vá embora.
e se ela não for... vou saber que essas feridas tem mesmo é que ficar escancaradas.
E que eu tenho que voltar a ser o bicho amargo, que jogava e comparava e lembrava, e adicionava todas as coisas ruins, me esforçando pra que desse tudo errado, e eu fizesse o outro sofrer ao invés de ser eu, o mártir.
Não quero mais ficar, sentir só.
Quero voltar pro começo, pra onde nós éramos felizes.
...

"sinto falta de como era tudo tão fácil pra nós; mais natural quanto o ato de respirar... sinto falta de nós dois.."

solidão, por favor, vá embora...

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