"NADA NOS DEIXA TÃO SOLITÁRIOS QUANTO OS NOSSOS SEGREDOS" - Paul Tournier

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Um souvenir para mim (+18)

   Era quarta-feira. 
   O clima estava estranho havia alguns dias. Eu não podia tocá-lo, ele não me deixava, e apesar disso, dormiu comigo todos esses dias, novamente me fazendo sentir protegida, e querida, mas não desejada. 
   Tudo bem, eu podia lidar com isso.
  Na verdade, não podia não, mas eu fingia estar bem quando ele estava por perto. Eu jogava uma água no rosto pra disfarçar a cara inchada de tanto chorar durante o dia. Mas quando ele me visse, ele não poderia me ver quebrada. Não. Ele deveria me ver inteira.
  Naquele dia, trocamos mensagens durante o dia. Eu não havia chorado tanto, apesar de não ter sentido fome e de ter me contentado com apenas uma das duas esfihas que comprei pra comer.
   Enquanto eu lia, acabei tomando uma taça de vinho. Estava, na verdade, me cansando de esperar, e estava quase dormindo quando ouvi minha porta se fechar.
   Ergui os olhos e ali estava ele, parado à porta.

   Ele disse "oi". Rouco e baixo. 
   Eu podia vê-lo graças à luz do meu abajur, e seus olhos estavam em chamas. As pupilas dilatadas, e quando me viu, instantaneamente sua respiração tornou-se ofegante.
   Eu quase pude tocar aquela corrente que tensionava dele em minha direção, sim, porque aquilo era o que chamamos de tensão sexual palpável, do tipo que deixaria pessoas ao redor constrangidas, caso houvessem pessoas ali.
   Então gatuno, em silêncio, ainda me olhando nos olhos ele caminhou em minha direção.
   Eu até que tentei balbuciar um "boa noite, tudo bem?", mas vi meu corpo respondendo àquele chamado silencioso da malicia no olhar dele. Vi meu corpo responder seu chamado mudo por meu corpo, e sua boca tomou a minha como sua.
   Senti o pinicar da barba e do bigode no meu rosto, mas não importava. Logo sua mão me envolveu num abraço, e a outra subiu por minha nuca, me agarrando os cabelos. Seu beijo explorava a minha boca, e eu pude sentir o gosto de álcool. Um sino distante tocou em minha mente "seria necessário beber para poder querer me tocar?" mas ignorei essa voz que me dizia que algo podia estar errado. Mas como poderia estar errado algo tão bom? Na verdade, aquele beijo tinha gosto de decisão. Como quando ficamos indecisos entre casar ou comprar uma bicicleta. E aquele beijo tinha gosto de bicicleta. 
   Sua língua aveludada explorava minha boca, e ele mordia e chupava meus lábios, quase doía, mas era bom. A intensidade do beijo aumentou quando ele desceu sua mão e a subiu novamente por dentro de minha camiseta. Seus dedos conheciam meu corpo, e suas mãos já eram familiares às minhas curvas. Ele apalpou um de meus seios, fazendo com que eu soltasse um suspiro em meio a um gemido de satisfação. Ele sorriu, mordendo meu lábio inferior. Estava me enlouquecendo.
   Estava à caminho de tirar minha blusa. Então afastou os lábios e me torturava olhando fundo em meus olhos enquanto puxava lentamente minha camiseta por cima da minha cabeça.
com seu braço livre, ele ergueu meu corpo, e novamente envolvidos num beijo apaixonado e quente nos embolamos em direção ao banheiro.
   Quebrando esse contato de pele, enquanto eu estava desnorteada, ainda tentando entender o que estava acontecendo, me encostando na parede do banheiro, ele ligava o chuveiro. Quando sua atenção se voltou para mim, eu parecia a presa, e ele estava me caçando. Ele era o caçador. Meu ventre se revirou, protestando em desejo.
  Ele se aproximou, como um felino, me olhando nos olhos, me comendo com os olhos, e abaixou minha calça, puxando e retirando minha calcinha junto.
voltou sua atenção para minha boca, atacando-a com outro beijo voluptuoso e cheio de desejo e luxúria, e silenciosamente me pediu para que eu entrasse na água. Eu estava em transe, apenas assenti, e entrei embaixo do chuveiro, aguardando com o coração descompassado no peito, a respiração acelerada e sentindo meu rosto esquentar.
Ele se despiu, e juntou-se a mim dentro do box, ainda não havia dito uma palavra sequer, mas continuava me olhando daquele jeito que me incendiava por dentro. Se aproximou de mim e me tomou em outro beijo quente, avassalador, enquanto puxava os cabelos da minha nuca, castigando meus lábios com mordidas. Seu membro duro, quente e pulsante estava pressionando minha barriga, e eu já estava quase implorando para tê-lo dentro de mim imediatamente.
  Como uma prece silenciosa, ele ouviu meu pensamento, me virando de costas, cheirando forte meu pescoço minha nuca, atrás dá minha orelha, e tudo o que eu conseguia fazer era soltar gemidos baixinhos de satisfação. Atendendo ao desejo ardente de me ter ali, enterrou-se em mim, e fomos feitos um.
  A mecânica dos nossos corpos e os movimentos são perfeitos e sincronizados, nos levando ao ápice daquele sexo quente e selvagem quase que ao mesmo tempo. Nem mesmo conseguíamos acalmar as respirações, pois já estávamos sedentos por começar novamente.
  Aquela sensação tamborilante é o pensamento constante que eu tinha era " isso está se parecendo muito com uma foda de despedida... O que tá acontecendo aqui?"
Não consegui compartilhar meu pensamento, porque fizemos mais vezes noite adentro, até pergarmos no sono, exaustos e satisfeitos. Foi o melhor sono que eu tive em dias. Até a conchinha estava perfeita. E é disso que vou me lembrar.
Porque realmente aquilo foi uma despedida.



Espero que não pra sempre.
Torço pra que seja um "até breve", e não um "adeus".

sábado, 23 de dezembro de 2017

O que fiz com o que sobrou de mim?

  Aqui nesse lugar estava tudo quadradinho, minha vida encaixadinha, tudo meticulosamente planejado, como jogo de tetris - quando jogado por gente habilidosa. Mas não entendi. Em 30 segundos minha cabeça deu um looping, joguei a porra toda pro alto, e, junto com as madeixas do meu cabelo, comecei um ciclo de mudanças. 
  Mudança de postura, mudança de pensamentos, e mudei até o endereço.

  Durante oito meses, que pareceram uma eternidade, estava lutando bravamente pra continuar na linha, tentando segurar aquela ponte que existia entre ele e eu. Era como se eu visse que a corda estava para se romper, e por mais que eu enrolasse ela na minha mão até que começasse a sangrar, todo o esforço era vão pois a corda estava para arrebentar lá no meio, longe do meu alcance. Segurar a corda doía. Eu estava calçando um sapato que já não me cabia mais. Lindo! E que eu amava, mas que me causava bolhas nos pés e deixava meu andar difícil. Como quando a gente engorda e não cabe mais nas roupas antigas.

 Mas eu aguentei. Fui até o último suspiro. O meu grito pelo adeus estava sufocado, e a voz já quase não saía. O golpe de misericórdia que dei em nosso relacionamento foi principalmente para ver se eu conseguia resgatar o restinho de sanidade que existia em mim. Pois eu mesma já havia me prometido que eu nunca mais passaria por qualquer situação assim novamente. Que eu não seria fraca. E que estaria com ele enquanto nós fizéssemos bem um ao outro. 

  Estar estável e acomodado trás problemas.
 Você acaba ficando tão acostumado com aquela pessoa que está com você, porque parece que ela sempre esteve ali, que você acaba assumindo que essa pessoa nunca nunca vai sair da sua vida. E esse, é o maior erro que você comete. 
Porque os pequenos gestos e as gentilezas ficam esquecidas. 
As mensagens ficam dias sem serem respondidas.
As vezes se recebe um bom dia.
Você vira o Woody, empoeirando na estante, esperando ansiosamente pelo dia em que o Andy chegue e te escolha mais uma vez pra brincar.
Você, que é uma pessoa, acaba virando um souvenir. 

Então, chutei o pau da barraca.
Me dediquei algumas semanas pra sofrer.
Aliás, sofri ainda mais com a indiferença dele, mas OK.
Algumas coisas, a gente acha que vai durar pra sempre, se planeja, se organiza. Vai em busca de uma formação, e pensa: "nossa, eu vou ser alguém foda, porque a pessoa que está comigo é tão foda que merece somente o melhor". Quando na verdade temos que pensar que nós é que merecemos o melhor. Nós merecemos a felicidade, e viver de migalhas é muito pouco, principalmente porque concordo que nós somente aceitamos do outro aquilo que nos julgamos merecedores de receber, e eu pensei que eu merecia ser feliz.
Mesmo que isso implicasse jogar tudo que era "certo" para o alto, e dar ouvidos ao abismo que me gritava aos ouvidos: "PULE".

E eu pulei mesmo.
Não me arrependo.

Lá no fundo do abismo encontrei um par de olhos castanho claros..


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Des-Controle

Eu sei que pedi, aliás, que venho a alguns anos pedindo por mais.
Eu sei que ele não pode me dar o mais que sinto falta.

Sei que está além dele, e além de nós.
Nosso amor nunca queimou ardendo no peito. Sempre foi amor de aquecer a alma, mas nunca de incendiá-la.
Sempre foi calmaria, nunca tempestade. 
E eu sinto falta da tempestade, ele sabe.

Sinto falta de perder o controle. Sinto falta da adrenalina de algo que me queima e me desestabiliza.
Sinto fata de estar à mercê emocionalmente de outra pessoa. 
Sinto falta de algo que me faça sentir algo.

O problema é a personificação do controle. 
Ele nunca perde o controle. 
Nem das palavras, nem da paciência, nem das suas emoções, muito menos perde o controle de si.

Não quero que ele me controle: quero que perca o controle comigo.

Que passe o fim de semana, e ao ir embora, tudo o que ele consiga fazer seja lembrar do meu nome.
Quero que me deseje, e seja obcecado por mim, por minhas curvas - inclusive a do meu sorriso.
Quero que conheça e memorize meu corpo. Minhas pintas, rugas e estrias.

Mas ele nunca perde o controle.
Nem me deixa perder o meu.

As vezes esse controle todo me sufoca, e tudo o que quero, é gritar e sair correndo para as colinas.
Abandonar tudo mesmo. E pular num abismo desconhecido.
Aliás, eu ouço o abismo me chamar, e quero ouvir o chamado do abismo. Do infinito. Do desconhecido.

Quero saber que passei por aqui e vivi.
Quero adrenalina, emoção, fogo, atrito, carne.
Ser desejada.
Um tapa estalado, "sua gostosa".

Mas escolhi a estabilidade.
até quando?



sábado, 5 de setembro de 2015

Só enquanto eu respirar...

Cada dia que passa o tique-taque do relógio  vai me deixando cada vez mais louca. Engraçado, que o tique é o que mais faz tudo isso fazer sentido, me prende a realidade. 
O tique-taque que ouço vem daquele relógio que o seu avô me deu, que uso com tanto carinho.. 
É mais uma das minhas lembranças suas.
Ando vivendo de lembranças.... Lembranças dos seu olhos nos meus, da sua boca na minha, dos nossos dedos entrelaçados...
Lembranças do seus jeitos, manias, inseguranças... 

Lembranças do seu riso! - O som do sua voz é a melhor melodia na terra.. É como o chamado da realidade. 
Me enche de borboletas na barriga, me revira e bagunça toda.

As melhores  memórias de mim, são quando estou contigo. 

Estava.
Quando olho ao meu redor e me vejo só e sem você tenho vontade de nem levantar da cama. E daí ouço sua voz mentalmente me dizendo que tenho que ser forte "levanta e vai viver!".
E dai eu crio coragem pra encarar mais um dia sem você. 

Mais uma semana sem você. 
Mais um mês sem você.

E o lugar que você ocupa? Está aqui, vazio, esperando sua volta.  Esperando o momento que nossas vidas encontram o mesmo caminho. Porque meu sonho mesmo, é ficar velinha ao teu lado.

E como eu amo você!
Eu seu que parece pouco, mas é o que eu tenho, e que já não é mais meu, porque tudo de melhor em mim é porque quero ser o melhor por você.
Você é um lindo ser humano, que modificou minha vida de uma maneira louca! Você é um dos maiores motivos pra que eu ame tudo, o mundo a vida.

 Eu amo tudo porque você existe! E se ainda com tudo isso, eu tivesse a chance de voltar no passado e escolher novamente, eu te escolheria. 
Todas as vezes. 
Faria tudo de novo, só prater você na minha vida. 
De você, nunca me arrependo.
Você é a razão pela qual eu acredito no amor. Você é a razão pela qual acredito em finais felizes. Você é a razão pela qual tenho fé no futuro.
Sinto sua falta todos os dias.
Aguardo ansiosamente pelo dia que poderei estar contigo novamente.

"I can wait forever".

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Pra falar de amor...

Hoje eu entendo.
Sei o que são aquelas maravilhosas linhas em Cantares de Salomão, 2.
São declarações de amor. Dois seres que se amam profundamente, tentando por em palavras o que cada um é para o outro.

"Qual a macieira entre as arvores do bosque, tal é o me amado entre os filhos, desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar."
A moça, descreve, que dentre todos, ele é diferente, é imponente, seus beijos aquecem o corpo, sua sombra onde se assenta, são seus braços onde ela repousa.. Enfim..
Hoje eu entendo, porque estou aqui há meia hora tentando por em palavras o que eu sinto pelo meu amado e não consigo. Não encontro semelhança, porque ele é diferente de tudo que conheço ou conheci.
Na verdade, acho que não consigo compará-lo a nada, porque ele é único. Não há arvore, ou fruto doce que o represente, e que chegue aos pés de descrevê-lo como eu o vejo.

Só sei que quando estou com meu amado, de repente, o mundo se torna um lugar de paz. Ao menos meu mundo. Eu consigo respirar. Como se todo o tempo eu estivesse nadando lutando por ar, e ele fosse a força que me puxa à superfície.
Quando estou com ele, eu vejo cores em tudo, e ouço todas as musicas ao redor.
Eu me transbordo. E então sei que ao menos momentaneamente é assim que deve ser estar feliz.
Quando o vejo, ou o ouço, minha agonia dissipa, então tudo em mim vira paz.

De repente, me encontro todos os dias descobrindo um jeito novo de amar meu amado.
Me encontro sendo capaz de deixar meu coração expandir-se mais, para que talvez ele consiga conter todas essas coisas que começam a transbordar em mim quando estou com ele.
Quando estou em seus braços, não tenho medo, pesadelos não me atingem, porque estou segura.
Sei que estou.
Sei que se eu me partisse em milhões de pedacinhos, todos eles correriam até ele, se expandiriam e todos eles diriam "eu amo você".

Porque é verdade.

Eu tive tanto medo de dizer em voz alta, medo de sofrer, medo de não ser correspondida, medo de talvez estar mentindo pra mim e pra ele, medo de não saber se era amor...
Mas eu o amo. Eu o amo demais. Na nossa paz.

Eu ainda o amo por todos os hojes que viraram ontem, e pelos que serão amanhã. Eu o amo todos esses dias, meu amado.
Por isso choro quando ele me diz "eu te amo",
As vezes é tão bom que não parece real. Então eu finalmente acho que compreendi. Acho que é assim que é amar de verdade.

 "O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."
( 1 Coríntios 13:4-7 )
 
E assim é o nosso amor.
 
"O meu amado é meu, e eu sou dele"